9 de setembro de 2004

O sol cá dentro...

Fechou-se nesta caixa o coração. Fechou-se durante dias de calor e tempo bom de praia. Fechou-se no frio, no cinzento e no feio. Fechou-se no belo que é a chuva vista de dentro.
Fechou-se e escondeu-se com medo e foi então, tão imensamente verdadeiro. Fugiu de si, dos outros e deixou-se levar pelas quatro paredes do nada que o envolveram durante sempre.
Agora é pequeno e forte, pequeno e grande, pequeno e imenso, pequeno e seu. Agora sabe sentir-se e ser-se e viver-se. E fechado na sua caixa o coração sente mais que nunca e agradece ao frio e à chuva e ao sol e à tempestade quente, que o ensinaram que o calor vem sempre de dentro, só que às vezes engana-nos…E somos como está o tempo...

8 comentários:

Sombra disse...

Nem mais, assim é o coração...

Filipa disse...

Que palavras tão.... bem escolhidas. :)

Marta disse...

Bela dissertação. Beijo

Pecola disse...

O sopro do coração...

Márcia Maia disse...

'Fechou-se no belo que é a chuva vista de dentro.'

Belo! Belo!

Anónimo disse...

ensinas-nos a buscar o nosso sol... cá dentro. simplesmente genial!

Aluena disse...

O SOL, o astro Rei que aquece a vida mas que pode destabilizar quando é demais.
Este sim está soberbo. BJS DOCES.

daniel disse...

“Debaixo do céu cinzento, ao lado da solidão, sinto o doce perfume do orvalho e o suave toque da brisa do anoitecer. Navego por memórias esquecidas, pensamentos negados e sentimentos retraídos. Penso no que está dentro de mim, no que fui e sou. Tento encontrar uma resposta para o que encerro na alma, mas não consigo. Não existem definições ou palavras para tal... As estrelas começam a aparecer, uma por uma, lentamente, como que a acordar de um sono profundo, ainda preguiçosas. Cada uma delas me relembra de uma parte de mim. Toda a minha história está ali, escrita no manto cintilante do céu nocturno que me abriga. Poderia passar aqui a noite inteira sem me aborrecer. Aqui não me sinto tão só. As estrelas e a lua que, timidamente, vão-se mostrando velam por mim, acompanham-me e tentam mostrar-me o caminho. Apesar de eu não as compreender, sei que estão ali, e é tudo o que preciso neste momento, sentir a presença de algo ou alguém...