20 de setembro de 2004

Porque são as manhãs tão curtas?

Ao escurecer, já deitado, cansado de tanto esbracejar debaixo dos lençóis, dou por mim perplexo a questionar ofendido o fim da manhã que sempre me parece demasiado prematuro. Sinto-me resvalar para fora deste quarto escuro, carregado de angústias sem solução à vista e de repente, ao principiar a escrever estas linhas, sei que daqui a nada volto dormir. Que daqui a nada deixo cair a cabeça na almofada e que mais tarde ou mais cedo é manhã. Que num ápice, perguntar a razão de as manhãs serem tão curtas não mais fará sentido. E então compreendo a utilidade de não adormecer. Aqui consigo sonhar com maior nitidez e ganho então o fôlego necessário para acordar. Concretizo as palavras que dizem que sonhar estimula o sentido de viver e prefiro assim resistir com todas as forças à apatia profunda do sono. Porque são as manhãs tão curtas? Porque são as manhãs tão curtas?! Interrogações que, como esporas espinhosas, me maltratam o flanco exigindo-me mais. Exigindo que acelere o processo de consonância com a Existência, comigo! Mas é então que o torpor me vem com toda a força ao corpo. Não fui eu que desisti foi ele que sucumbiu ao cansaço da noite. Daí a pergunta: porque são as manhãs tão curtas?

3 comentários:

Magda disse...

porque as passo a dormir :)
(obrigada pela visita ao http://estadodespirito.blogspot.com)

Kase Wo Atsumete disse...

Porque as tardes são longas??!!

Isabel Magalhães disse...

São curtissimas, mas deve ser do meu horário de artista; deitar tarde e tarde erguer.
Ah! Obrigada pelo comentário à minha tela. :)