27 de novembro de 2004

rascunho,

Recordar ser levada pela mão para uma estranha caixa metálica, uma cabine de telefone cheia de mistérios e um devaneio que a relacionava a uma nave extraterrestre, onde do seu interior, sem nunca largar a mão, ouvia os sons que ali se produziam, olhava orgulhosa para os terrestres no exterior, alheios à embarcação vinda do futuro cheios de inquietações mundanas, e em silêncio emocionava-se com a tecnologia do abrir e fechar da enorme porta, tirada de um filme de ficção, de uma fantasia de infância ou de um amante proibido que lhe facilitava a imaginação. Segurança do pensamento já visitado era o seu enleio, era o sangue-frio das suas emoções perigosas e era para si tudo o que tinha, uma estranha caixa metálica que arranhava furiosa, de garras infindas, emitindo sons que certificavam a sua querida solidão, o rumor da sua autonomia.

3 comentários:

Xastre disse...

Miscelânea agradável de informação. no primeiro minuto a lógica abunda. no segundo desbunda. a caixa arranhada ficou imóvel na estrada... e de repente, ficou também na minha mente.

BlueShell disse...

Tem muito o que selhe diga...

whiteball disse...

Intenso!
Sei que tenho andado “fugida”: muito trabalho e algumas preocupações de ordem familiar. Abraço, WB