25 de março de 2005

A tristeza que volveu

O puro mudar de expressão Eram sete da manhã e o ar fresco avivava o brilho da água da chuva por toda a parte. A atmosfera mudava e o mar era outro, o nascer do sol ainda, a romper, a pôr tudo a nu, livre. Livre por fim, a vida.
E o volver, atenuado pelo nascer do dia, irrompia docemente, docemente sussurrado pelo reflexo, que julgo ser meu, ao fundo, sozinho, a querer sobressair no olhar que vejo no espelho, a querer regressar, como um frémito de saudade no corpo, a querer ser eu; outro.
O meu olhar, porém, fica comigo, chora.
Olha, os meus olhos, são a prece que se aproxima sem medo, um legado que carrego e que te mostro; abertos ao sol, à chuva e ao vento.
A luz a aparecer parece emergir subtilmente por entre a lancinante angústia na garganta e a imagem torna-se seca, vazia, neutra e cortante, quer regressar.

9 comentários:

impressaodigital disse...

e ha vontade de a deixar regressar? de a voltar a ver?

rita_ disse...

visitaste o meu espaco...vim cá ver o teu. comentário: escrita (bastante) saborosa.*

Ricardo disse...

Boa Páscoa

augustoM disse...

Esse estado d'alma deve-se ao facto de teres que te levantar e não te apetecer. Boa Páscoa. Augusto

Sombra disse...

olá... passei para deixar um abraço e desejar-te uma óptima Páscoa!

Abraço

AmigaTeatro disse...

:)

Anónimo disse...

Já nasceu!!!

Natércia disse...

Nasceu!!!

dale disse...

E, entretanto, chove, e o ar toma de nós uma leveza pesada que já nem supunhamos ser possível...