7 de abril de 2005

Ao acaso.

A vida passou por mim convencida de que me poderia ultrapassar. Ri-me. Julguei que a vida fosse mais discreta na sua tentativa de cansar a corrida até ao que uns podem chamar felicidade, êxito, satisfação.
Só quero exceder a vida, ser mais que ela, caminhar à sua frente e esquecer-me de que existe.
As suas imutáveis tentativas de nos lembrar que o acaso nos priva das coisas, as eventualidades nos roubam a esperança, e os imprevistos nos libertam da magia; tudo isso cansa a caminhada e a passada.
Mas o acaso é só mesmo o acaso, existe, controla, por vezes comanda, mas não conduz, não transporta, nem transmite.
Esse é o papel da magia dos acasos. Esperar o nada e o tudo, aguardar, confiar; às vezes sofrer e amar toda essa espera do incógnito e do estranho. E desejar na expectativa que o imprevisto nos leve ao simples viver, ao ser feliz ao acaso.

6 comentários:

contadordehistorias disse...

O acaso é uma sucessão de passos num qualquer caminho que nos surge ao dobrar a esquina. Quando olhamos para ele, a nossa vida transforma-se num cruzamento, e tudo e todos passam por nós sem nos olhar nos olhos.


abraço

Bellatrix disse...

e só por acaso ;) *

Márcia Maia disse...

Este parágrafo final é mais-que-perfeito. Não por acaso.

Cassiopeia disse...

Olá!
Começo por agradecer a visita: muito obrigada!
Achei o texto fabuloso! ´Porque está carregado de antagonismos, aquilo que mais caracteriza a vida - aquela de quem nunca sabemos se havemos de fugir, abraçar ou desdenhar com um pontapé no rabo (passo a expressão).
Muita força nessa caneta!
Beijos

Cris disse...

Simplesmente belo... e tenho a certeza que não por acaso... Jinhos :)

MRF disse...

Assinaria por baixo. adorei o "manifesto" e o "ambiente (música, design).