15 de novembro de 2007

hoje quis-te para sempre

Deitei-me em ti.
Havia dores de ir embora que se sentiam na barriga.
Abracei-te com mais força do que nos outros dias e quis-te ainda mais, como sempre.
Era orgulho e saudade, por estares ali, mesmo à minha frente.
Escrevi um poema cá dentro, que eras tu. Decorei-o detrás para frente e cantei-o em silêncio.
Cantei-te alto meu amor. Como se amanhã a minha voz fosse contigo na tua passada. Mesmo sabendo que o grito será sempre maior.
Havia nos meus olhos o primeiro futuro. Hoje, sem vergonhas, quis-te para sempre.
E lembrei-me disto, porque é disto e de ti que eu vivo.



Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.
Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.


Alberto Caeiro

2 comentários:

indie girl/gerinha disse...

não conhecia este poema de alberto caeiro ;)
mas está realmente belo

Luis disse...

Gosto do teu blog... este post está perfeito.