5 de julho de 2006

talvez não durma

É só trovoada.
Às vezes também tenho medo e este som avisa-me. Somos fracos e pequenos.
O som chega muito depois do raio de luz. Não há razões para ter medo.
Não quero saber da ciência quando o meu coração acelera, perde-se a razão e é-se mais humano. Por um lado gosto até deste medo.
Então dorme.
Durmo depois da chuva e da trovoada.
Pode demorar a passar.
Pois pode. A trovoada demora-se sempre. Talvez não durma... talvez me mantenha acordada à espera.
Manter o medo acordado?
Chama-lhe o que quiseres.
És inconstante como o som e como a luz.
Talvez seja. Dorme tu então.

2 comentários:

Vássia Silveira disse...

Talvez não durma. Talvez ele durma. Talvez as trovoadas sejam o silêncio entre ambos: gostei muito desse poema-diálogo.

Marta disse...

Gostei da conversa. Parece-me familiar :). Bj