23 de março de 2007

quando choves em mim

Gostava que chovesses em mim. Que fosses uma espécie de chuva ou mesmo a chuva. Não daquela que entra pelos casacos e pelas golas e por dentro das luvas, mas aquela que cai depois de uma grande caminhada e refresca, como se fosse a única água da vida. Gostava de te deixar secar no meu corpo. Parece-te estranho que o queira? Não te iria sacudir por não te querer em mim, iria deixar que a minha pele te absorvesse, para te poder sentir pelo tempo máximo. Quase até ao fim do dia.
Gostava que me deixasses assim. Parada, no meio da rua, de cara levantada para o céu, quieta e que caísses em mim, até vir o sol. Que as pessoas passassem por mim na rua e murmurassem louca sem eu me importar. Que me dessem um empurrão sem querer e eu conseguisse ainda, esboçar um sorriso preguiçoso.
Gostava que chovesses em mim. Que houvesse num lado da minha vida um inverno para sempre sem que nunca existisse o frio. Deste lado, vejo-te só como um calor. E nunca, nunca tenho frio quando estou contigo e te imagino, gota a gota, a cair em mim.

2 comentários:

Rui Luís Lima disse...

olá

se gostas de cinema vem visitar-nos em

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todos os dias falamos de um filme diferente

paula e rui lima

Márcia disse...

belo demais. demais.