21 de maio de 2008

abandonar Portugal

Achei que esta era a altura certa para recuperar pensamentos antigos e responder a alguns sopros de inspiração.

Portugal tem, como tantos outros países, inúmeros defeitos, posso até admitir que tem demais, que é o país do mundo inteiro com mais defeitos, que não podia ser pior, que estamos a viver os piores tempos de sempre e a saúde é má e a educação é má, os valores estão alterados e o desemprego é imenso.
Sim, já se sabe. Portugal é o pior país para se viver. Com alguma raiva e satisfação digo, que felizmente há os que tomam a iniciativa de fazer as malas e abandonar Portugal. Pronto. Já foram.
São muito felizes e nem se criitica quando alguns nascem com a coragem de procurar as condições ideias, que as encontram lá fora, que conseguem exactamente o que querem noutro país. Fico feliz por todas essas pessoas, mais triste fico pelas que se obrigam a abandonar o país que amam.
Depois há as outras.
De longe é tão fácil apontar o dedo e vir cá de vez em quando, achar que em dois dias se retoma o nacionalismo, o patriotismo. Se nunca existiu, nunca irá existir.
De longe, pode chamar-se nomes a Portugal e achar se conhece tão bem este país, porque a comparação é o melhor medidor. Lá não é assim, lá temos uma rede de transportes espectacular, este tempo agora está sempre asism aqui em Portugal? Lá tem estado imenso sol. Lá tenho a ajuda do estado, lá tenho um médico que vai a casa e não pago nada por ele. Lá tenho isto e aquilo.
Que bom.
Não sei se existe alguma palavra para descrevere este sentimento que me parece quase racista acerca daqueles que considero despatriados. Não sendo racista, porque assim não me reconheço, posso assumir que pura e simlesmente não gosto dos que largam Portugal para serem felizes e retornam para o entristecerem.
É o nosso país. Tão perto de um amor incondicional. Só uns compreendem, e só uns têm a sorte de regressar a Portugal, deixar lá fora tudo o que há de bom e do melhor e mesmo assim sentir que regressaram a casa. Isto é amar o nosso país, privilégio e inteligência só de alguns.

1 comentário:

Afonso disse...

E amar Portugal, mas mesmo assim partir? Há muitas coisas que não funcionam nesse pequeno paraíso na ponta da Europa beijado pelo atlantico, que não se governa nem se deixa governar. Assim o disseram os Romanos, e todos os nossos escritores o descreveram ao longo história.
É muito dificil viver longe, as saudades sao esmagadores, e sentimos falta do que deixámos para trás todos os dias.
Também não concordo com a presunta comparacao de Portugal com o pais que nos acolhe, mas sei que muitas vezes nao sao comparacoes, mas mecanismos de defesa própria, para conseguir viver com esse peso.