13 de junho de 2005

Para: Eugénio

Adeus.
Fechaste a porta que nunca te abri e foste, para sempre. Em mim só até amanhã. Conheci-te por dentro, no momento, conheci o que foste na minha alma. Não choro a tua viagem, choro só a estranha inveja sem maldade, que provocas por seres mais. Foste mais. Choraste palavras, gritaste os beijos e falaste das ruas, mudaste os ventos, aceitaste pessoas, decidiste sentimentos. Foste mais.
Nunca meu, de todos. Ou dos que a sorte visitou.
Agora és letras em papel, e sentimento em nós.

Frente a frente

Nada podeis contra o amor,
Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.

Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco!

Eugénio de Andrade

6 comentários:

Márcia Maia disse...

um beijo de saudade, daqui, no outro lado do mar.

hfm disse...

Bela homenagem!

Assim disse...

Gostei do "adeus", a emoção deve ter tradução em simplicidade. Agradecendo visita e podendo retribuir com prazer: Parabéns pelo blog!

contadordehistorias disse...

Fica um adeus em forma de palavra escrita.

abraço

O Micróbio disse...

Adeus, Eugénio!

catarina disse...

que dizer? já gastei as lágrimas a chorar-te e ainda assim a alma ainda me treme... sei que és eterno, Eugénio. mas a parte mais fraca de mim ainda sofre com a tua ausência. deixa só passar a saudade. mereces cada homenagem.