22 de janeiro de 2005

Recuo

Quantas vezes me sinto com a coragem suficiente para me sentar e escrever tudo. De deixar o meu pensamento devanear livremente; com todo o nervo, com a força do desejo de fugir ao apoio que delimita, que sufoca, o desejo de o escrever, de o escrever na sua complexa, genuína, ilegibilidade. Mas aqui chego, trazendo-o comigo, materializando-o, restringindo-o às limitações semânticas que a escrita carrega... O pensamento jamais será livre no papel, será mera digressão adulterada; mais que um impedimento, é um cerco, na vil intenção de ser explicado.

6 comentários:

Cris disse...

Eu amo as palavras... é com elas que construo o meu mundo... mas, mesmo eu, tenho que reconhecer que há momentos em que me soam tão limitadas... como descrever o amor sem sentir que estamos a ficar tão aquém do que queríamos transmitir... como descrever cada gota de um oceano ou cada grão de areia de uma praia? Como descrever a devastação que nos provoca a perda de alguém querido para sempre? Como exprimi-lo através de palavras? Por isso acho sempre útil complementá-las de gestos, às vezes até de silêncios... Jinhos :)

Cris (www.palavrasaovento.blogs.sapo.pt)

P disse...

Eu sou o contrário. Para mim, quando escrevo, quando expresso o que realmente sinto, sinto-me aliviada. O papel não me julga. A caneta não me condena, apenas é escrava dos meus dedos.

E aí sinto-me livre.

beijinhos =)*******
FoRmiGa, www.-viver-.blogspot.com

Marta disse...

Vamos ensaiando palavras na tentativa de traduzir o pensamento, muitas vezes, sim, inutilmente. Beijo

barbaciliano disse...

Por vezes sinto que as palavras não chegam para libertar o que existe dentro de nós.

Beijos

augustoM disse...

Não há palavras suficientes, nem escrita perfeita, que sejam suficientes para ilustramos o pensamento e as emoções.
Um abraço. Augsuto

tounalua disse...

Eterna tentativa e erro. Espiral sempre em construção, como a vida. Se algum dia se fechar... estará morta?